...não digais muitas palavras... (Mateus 6, 7-15)
O Fidelíssimo não obedece ao novo acordo ortográfico.

sábado, 3 de julho de 2010

Finalmente…Evoramonte!

Há já alguns anos que andava para visitar Evoramonte, em memória das minhas saudosas aulas de história e prestando justo tributo à notável fortificação onde, a 26 de Maio de 1834, se assinou a célebre Convenção de Evoramonte. Mesmo quase sempre instalado no meu quartel-general em Mora (Monte da Fraga), e recorrendo à linha Estremoz, Borba e Vila Viçosa, não tinha sido oportuno lá passar. Ora, foi há dias colmatada essa minha grande lacuna cultural e patriótica…

Evoramonte é mais um exemplo de como a Monarquia Portuguesa era (e é!) magnânime. Era total. Era nacional. Todo o território nacional era Nacional. Todo o território português era Português. Evoramonte e bem assim Vila Viçosa, Trancoso, Póvoa de Lanhoso, Guimarães, Leça do Balio, Elvas entre tantas outras que, não sendo ao mesmo tempo Lisboa e Porto, foram importantes e algumas decisivas na história da vida nacional. Hoje sim, o regime republicano remete para o esquecimento e abandono o interior da Nação. Mas eu não esqueço. E mais, gosto muito e cada vez mais do interior do País, sobretudo no Alentejo.

“Dominando a planície alentejana, no alto de uma colina com 481 metros de altitude, surge o Castelo de Evoramonte, povoação que se distinguiu na História de Portugal contemporâneo por ali ter sido assinada a Convenção que, em 26 de Maio de 1834, restabeleceu a Paz em Portugal, após vários anos de sangrenta guerra civil entre Liberais e Absolutistas.

Acerca da sua fundação pouco de sabe. Provavelmente terá sido conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, em 1166, mas não existem fontes seguras que o possam confirmar.

A primeira menção a Evoramonte surge no ano de 1248, quando D. Afonso III lhe concedeu Carta de Foral, posteriormente corroborada e ampliada em 1271, com o intuito de povoar a vila.

Em 1306, tendo como objectivo proteger a vila e os seus habitantes, D. Dinis manda construir as muralhas medievais, que ainda hoje subsistem e mantêm as suas quatro portas em arco de ogiva, da época da fundação.

D. Nuno Álvares Pereira recebe a vila por doação em 1385 e cede-a, em 1461, ao seu neto D. Fernando, tornando-a propriedade do Ducado de Bragança.

A 15 de Dezembro de 1516, D. Manuel I concede à vila a Carta de Foral da Leitura Nova, confirmando o Termo Evoramontense.

Em Fevereiro de 1531, a vila foi sacudida por um violento sismo que destruiu quase por completo as suas estruturas medievais.

Para afirmar o poder da Casa de Bragança na época, D. Jaime I e D. Teodósio I mandam reforçar as muralhas com baluartes cilíndricos e erguer a imponente Torre/Paço Ducal, logo após o terramoto.

A torre é um exemplar único da arquitectura militar de transição, do manuelino final, sem antecedentes nem precedentes em Portugal, e que serviu essencialmente como residência de caça dos Duques de Bragança. A sua posição dominante e cénica, no meio da planície, cumpre na íntegra o propósito da sua construção: afirmar a Casa de Bragança como a segunda mais poderosa do Reino e dando sentido à máxima “Depois de Vós, Nós”, ou seja, depois do Rei, a Casa de Bragança. Esta particularidade está fortemente presente na concepção do edifício, através dos Nós que envolvem o mesmo e que se tratam de um símbolo da heráldica Bragantina, adoptado pelos arquitectos responsáveis pela sua autoria, os irmãos Francisco e Diogo de Arruda.

A Convenção de Evoramonte foi assinada na casa de Joaquim António Sarmago, Presidente da Câmara na altura, tendo confirmado a vitória dos liberais, seguidores de D. Pedro IV, sob os absolutistas, seguidores de D. Miguel.

Esta guerra entre irmãos terminaria, assim, numa modesta casa da Rua Direita desta vila, na qual se reuniram os Duques de Terceira e Saldanha, pelos liberais, e o General Joaquim Azevedo e Lemos, chefe absolutista, assinando a Convenção, que resultou no exílio de D. Miguel para Áustria e no triunfo do Liberalismo em Portugal.

Evoramonte foi sede de concelho até 1855, altura em que passou a integrar o Concelho de Estremoz, situação que ainda hoje se mantém.” (Marisa Serrano – Freguesia de Evoramonte 2008).

Fica o registo da minha perspectiva óptica.





quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ermida de Nossa Senhora do Carmo – Azaruja

Parti há dias rumo ao Algarve para praticar o meu inglês. Mas se no Algarve se bronzeia o corpo, no Alentejo bronzeia-se o espírito. A meio curso, encostei na Ermida de Nossa Senhora do Carmo, na Azaruja. Dedicado ao culto de Nossa Senhora do Monte do Carmo, este santuário barroco situa-se a cerca de 2 quilómetros da Igreja Paroquial da Azaruja. Erguida em local ermo, conhecido outrora por Vale da Fornalha, a ermida foi o centro religioso de uma das mais importantes romarias do País. Teve origem num modesto oratório, edificado por eremitas da Ordem do Monte Carmelo que habitaram o local até 1754. A sagração do actual templo data de cerca de 1758. De planta octogonal irregular, conserva um interior revestido de estuques policromos ao gosto rococó, alguns retábulos e altares de talha dourada de bom mérito artístico. Destaca-se o conjunto de cerca de 2.000 ex-votos, a maioria dos séculos XVIII e XIX, verdadeira manifestação de arte e devoção populares (informação patrimonial Turismo de Évora). Um local ausente, de silêncios, de paz e de elevação. De uma luz da Luz, um paraíso dentro de outro paraíso. O isolamento pára o tempo, e sentimos uma pausa na vida...ficam as minhas fotos...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A conversão do não.

Tem-se considerado que polémica é sinónimo de qualidade, de mérito. Pelo contrário: porque é fácil. A polémica pode ser gerada por uma simples baralhação de conceitos ou ideias. Por outro lado, pode ser gerada pela forma pouco inteligente, pouco educada e até ofensiva com que se exprime um pensamento ou convicção. Assim foi o escritor. Foi escritor e foi polémico. Não foi mais nada. Foi nada. Foi um retrocesso. Negativo. Uma corrente de ar abafado. Um exemplo como um Nobel pode evidenciar um ser extremamente desinteressante. Não compreendo porque Portugal sentiu a obrigação, o peso e o dever de lhe prestar homenagem. Não compreendo. Foi um sinal notável da nossa falta de auto-estima. Estivemos preocupados com o conceito dos outros. Não com a nossa dignidade. Que péssimo embaixador. Que vergonha. Quantos não deram a vida pela Pátria no anonimato. São os que A servem que devem ser homenageados. Não os que A negam. De tudo o que se pode admirar num homem, só vi senão tinta, cinzenta...tudo o resto é triste. Hoje, cara a cara com Deus, o escritor desejaria poder começar a escrever...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Comemoração Centenário da República - Opinião Enc. Ed. Mário Neves.

Email ao Agrupamento de Escolas de Aveiro.

"Excelentíssimos senhores,

Não queria deixar de dar conhecimento a V.Exas. deste meu email, enviado à Associação de Pais da EB1 JI de Santiago, o qual não mereceu publicação no respectivo blog (facto que estará, muito provavelmente, associado à liberdade de expressão tão típica da república).

Aproveito para manifestar a V.Exas. a minha indignação e reprovação veemente em relação à propaganda republicana que se encontra exposta no JI de Santiago. Creio que não compete à Escola qualquer interferência viciada sobre a formação de opinião política dos alunos, ainda que se trate, neste caso, de um Jardim de Infância. Compete sim à Escola, com total isenção, promover e estimular junto dos alunos, o seu interesse pela política, bem entendida como instrumento nobre de serviço à causa pública.

Muito respeitosamente,

Mário Neves
Encarregado de Educação de Afonso Duarte Veloso Neves (1º ano) e Leonor Afonso Veloso Neves. (JI)


---------- Mensagem encaminhada ----------

De: Mário Neves

Data: 26 de Maio de 2010 16:42

Assunto: Comemoração Centenário da República - Opinião Enc. Ed. Mário Neves.

Para: eb1santiago@gmail.com

Excelentíssimos Senhores,

Recolhi este endereço de correio electrónico da página da Associação de Pais na internet. Sinceramente, não sei se a referida página constitui apenas um meio de emissão de informação ou se está prevista, igualmente, a liberdade de publicação de opiniões e comunicados diversos dos Pais e Encarregados de Educação. Nesse sentido, se possível, gostaria que fosse dada visibilidade, na mesma página, a esta minha exposição em resultado da organização de uma iniciativa no âmbito do “Centenário da República”. Agradeço antecipadamente.

Com os melhores cumprimentos, Mário Neves.

Encarregado de Educação de Afonso Duarte Veloso Neves (º1 ano) e Leonor Afonso Veloso Neves. (JI)

“ Excelentíssimos senhores,

Recebi no passado dia 24 de Maio, uma notificação escrita informando que, no próximo dia 9 de Junho vão “comemorar o Centenário da República” em cuja iniciativa, os Jardins de Infância vão representar a Monarquia. Agradece-se ainda, no mesmo documento, a nossa colaboração na confecção dos fatos.

Cumpre-me agradecer a notificação, e procederei conforme se solicita. Com efeito, as datas históricas nacionais devem constar do programa de actividade escolar, promovendo junto dos alunos o conhecimento da História de Portugal, não só do ponto de vista cognitivo mas, nessa medida, estimular, prematuramente, o dever de cidadania e desenvolver o sentimento Pátrio. Num mundo globalizado, efectivamente, devem-se cumprir estes desideratos. À organização, parabéns.

Devo, todavia, manifestar o quão desconfortante é para mim satisfazer o presente pedido. Por três razões:

1. Da Legitimidade: na verdade, trata-se não da Implantação mas sim da Imposição da república. Se é verdade que o poder reside no Povo, é não menos verdade que o regime republicano português nunca, em momento algum, foi por aquele sufragado. Como se pode comemorar um regime sem legitimidade democrática?

2. De ordem Criminosa: a imposição da república radica no Regicídio, ou seja, no homicídio de Sua Majestade o Rei D. Carlos e de seu filho, o Príncipe Real D. Luís Filipe. Omitirão este acto criminoso e desumano na representação a que se propõem?

3. Da Fundamentação: da análise política, social, económica e cultural, o que motiva a presente “comemoração” é, designadamente, a degradação moral, desertificação do interior, violação do meio ambiente, violação da Língua Portuguesa, desorientação espiritual, facilitismo na educação e avaliação escolar (bem entendida a desautorização total da classe docente), violação grave da matriz familiar, esquecimento da agricultura, degradação do património cultural, violência, crise económica e dos mercados financeiros, desemprego e, sobretudo: corrupção. Teremos a comemorar ou a lamentar?

Nesse sentido, temo que não reste outra solução à organização senão omitir a verdade histórica para assim poder blindar o interesse pedagógico e cultural da representação. Se assim for possível…

Resta-me a consolação de que os Jardins de Infância vão representar a Monarquia e, em particular, à minha querida filha, cabe a representação de Sua Majestade, a Rainha D. Amélia (creio que assim me foi transmitido). Salvaguardada pela sua profunda infantilidade, não sentirá assim o peso da dor e da desgraça que na realidade caiu sobre a Pessoa que representa, quando, após lhe terem assassinado o marido e o filho, a enviaram para o exílio…

A História não se apaga. O Povo é livre de escolher o seu caminho. A isto se chama Democracia. Todas as outras vias são inaceitáveis. É isto que temos de ensinar aos nossos filhos e aos nossos alunos.

Muito respeitosamente,

Mário Neves

http://fidelissimo.blogspot.com

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ver o visível.

Cada ser humano tem uma dimensão. Sem dúvida, a clausura e o isolamento abrem as portas para a extensão e o desenvolvimento do espírito e da alma. A dimensão de cada um existe e manifestar-se-á sempre. Se limitada de um lado, expandir-se-á no outro.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

É intrigante como a república convive bem com a sua própria ilegitimidade.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A Ponte.

A forma como um país recebe o Papa, pode aferir muito da sua cultura.

A visita do Santo Padre só pode constituir o expoente máximo da vida nacional. Não se me passa, sequer, perspectivar o Papa, como chefe de Estado. O Papa é o Papa. O sucessor de Pedro. O Sumo Pontífice. E a palavra "Pontífice" diz tudo. Como afirmou um dia o senhor D. José da Cruz Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, aquando da eleição do Papa, nós acreditamos que, naquele momento, há a presença e a intervenção do Espírito Santo. Esta é a suprema dignidade que muitos não sentem e muitos simplesmente desconhecem. O Santo Padre, não é só um chefe de Estado, não é só o Bispo de Roma, mas sim o Sumo Pontífice. E a Ponte leva-nos a Cristo.

Assim não foi para muitos, Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Não foi para muitas pessoas nem para muitas empresas. Impunha-se uma clareza total na permissão de todos poderem acompanhar, fosse essa a vontade, a visita do Santo Padre. E a ausência daquele prisma, de suprema dignidade, levou aos mais tristes e profundamente lamentáveis comentários sobre a sua Pessoa e sobre a sua visita.

Para muitos era só um “homem”. Para muitos que apoiam o despesismo fútil do Estado, do partidarismo e do clientelismo, já consideraram dispendiosa a visita do Santo Padre! Do nazismo à pedofilia, de tudo se versou…

Muitos portugueses desconhecem que Portugal se fundou na Missão Cristã e cuja nacionalidade foi avalizada pela Santa Sé.

A este gratuito e jacobino ataque ao Papa e à Igreja, eu respondo com a minha mais profunda repulsa e nojo. Pois, na verdade, aquilo que o Estado, recebendo para isso, é obrigado a fazer e não faz, fá-lo a Igreja.

Mas, na generalidade, vi uma calorosa recepção ao Papa. Não seria de admirar que o nosso Primeiro-Ministro não soubesse sequer o tratamento cerimonial adequado ao Papa, dirigindo-se ao mesmo da forma de “Eminência”, considerando as matérias morais que tenta despachar, foi, contudo, pleno de fé, que o Povo, e assim Portugal, o recebeu.

O Papa percebeu que foi acolhido por um País católico. As ruas e praças encheram-se de gente. A juventude esteve com ele. E vi a felicidade na sua face. Tendo sido testemunha da nossa fé, o Papa deixou-nos, ao mesmo tempo, uma mensagem de esperança e de sentido de vida. E quão oportuna é esta mensagem num período em que os políticos agravam a economia e destroçam a moralidade social.

Sobre todos os insistentes e intemporais ataques à Igreja, Portugal saberá exclamar bem alto e bem firme: Viva o Papa! Viva o Papa! Viva o Papa!