Os meus filhos devem achar-me louco. A imagem que eu lhes transmito de Portugal contrasta completamente com a realidade transmitida pelos media. E isto mostra o quanto se esconde Portugal e o quanto se desvia do substancial, do importante, do relevante. Mas eu recuso este Portugal. Porque Portugal, na verdade, não é isto. É isto que eu digo aos meus filhos. Portugal não é o que temos e nos querem dar. A escola actual ensina, mas não educa. Informa, mas não entusiasma. Debita quilos de massa escrita, mas não faz sonhar. Porque Portugal está amorfo, triste, desalmado, falhado. Felizmente, eu não me demito da função de educador e de formador. Aquilo que transmito aos meus filhos é um Portugal pioneiro, destemido, glorioso. E suscito neles o orgulho Pátrio e o privilégio de se sentirem Portugueses. E essa faculdade é um rasgo de sorte. Nesse sentido, eu não tenho outra hipótese senão recorrer ao passado. Eles crescem entre um Portugal fútil sustentado pelos media e um Portugal fantástico, sustentado pelos pais. Mas Portugal é um só. Esse que desejamos ser devolvido aos Portugueses. Pais e educadores deste País, não nos resta outra solução que formarmos nós próprios os nossos filhos. Se queremos uma educação de valor. Se queremos formar uma Nação próspera e segura no mundo globalizado. Por todas as vias visíveis a sociedade contemporânea portuguesa é uma vergonha. É um péssimo espaço para o crescimento e aculturação de uma criança. A televisão portuguesa é um exemplo notável: na mesma hora, enquanto em França divulgam um programa de história militar medieval para um segmento jovem, em Portugal passa, nessa hora, e nas intermináveis horas seguintes, o maior fenómeno da cultura portuguesa actual: Cristiano Ronaldo. Como é que é possível passarmos meses a fio, a sermos bombardeados, diariamente, pela comunicação social, transmitindo este Sr. e as suas namoradas?! Passamos horas nas tertúlias cor-de-rosa a questionar porque é que o Sr. Cláudio Ramos ainda não foi visto na Praia este verão, ou a debater o beijo que o Herman deu na boca de não sei quem, e as sucessivas separações da Elsa Raposo, e os vestidos de gala das Tias de Lisboa, as traições, as mentiras, os amantes, etc. No lugar de constituir um agente formador e transmissor do legado histórico, cultural e social, na generalidade, a televisão portuguesa é um espaço de atraso, de futilidade, de estupidez. A política noticiosa pretende gerir o nosso entusiasmo, dando sensacionalismo como Roma dava circo. Noticiam realidades pelo critério do tema da moda: Durante o processo Casa Pia, havia pedófilos por todo o lado, hoje não são notícia; Quando Maddie desapareceu, muitas outras desapareceram naqueles tempos…; Quando uma Professora faleceu de cancro após ter sido obrigada a trabalhar, logo outras professoras foram notícia pela mesma condição…e tudo isto é realidade. Mas a realidade é isto todos os dias, não acontece por fases! Se ao menos fosse possível atribuir o tempo de antena destas tertúlias cor-de-rosa a todas as associações culturais do País, a organizações de carácter humanitário, de acção social…sempre se faria mais por Portugal. E não me venham dizer que as pessoas precisam de lazer, pois lazer não é futilidade, não é tempo perdido. Não será possível ter lazer na televisão com alguma qualidade intelectual? Pelo seu lado, os programas infantis, na sua maior parte, estimulam a violência e não a imaginação e a fantasia. Tudo serve para destruir e para conquistar o mundo…Os nossos governantes subestimam o poder sociológico da televisão…sob o ponto de vista normativo do comportamento social. Será necessário lembrar que o governo brasileiro interferiu no guião de algumas novelas? E não confundamos com censura. A realidade televisiva pode mesmo ser altamente nociva. Gostaria que tanto a televisão como a escola, transmitissem aos meus filhos o que realmente importa e o que realmente os forma como dignas pessoas humanas, respeitadoras, trabalhadoras em prol do bem-estar comum. Mas não como o fazem agora em Portugal. Formam cada um por si, fugindo como se pode às responsabilidades nacionais, cuspindo para o chão, sem quaisquer referências do que foi Portugal no passado, sem saber de onde vimos e sem saber para onde vamos; são cúmplices de um País onde apenas se fala de futebol, onde a notoriedade é medida pela quantidade de vezes que se aparece, mesmo quando não faça nada pelo País e pelos outros; um País onde os muralhas que o guardaram servem muitas vezes de casa de banho, vergonhosamente desrespeitador dos nossos antepassados; hoje forma-se um povo gordo, de cerveja e de bola, de praia ao Domingo, sem leitura, sem modos, sem nada. Haja vinho e pão sobre a mesa. E o País que se aguente. É, aliás, isto que temos para pôr em cima do bolo dos 100 anos da ilegítima república portuguesa: analfabetismo; futilidade; mediocridade, precariedade. Ignorância. E o pior de tudo: desinteresse generalizado. A Família tem um papel fundamental na formação dos filhos, se quisermos que passe a Portugalidade. De outra forma, ela não passará. Eu gostaria que os meus filhos não vivessem dois Países, mas um: Portugal. Mas Portugal não é isto. Onde, então, entusiasmar e envolver os meus filhos no projecto Portugal? Eu sei e trabalho para conseguirmos esse caminho…domingo, 31 de agosto de 2008
Portugal não é isto.
Os meus filhos devem achar-me louco. A imagem que eu lhes transmito de Portugal contrasta completamente com a realidade transmitida pelos media. E isto mostra o quanto se esconde Portugal e o quanto se desvia do substancial, do importante, do relevante. Mas eu recuso este Portugal. Porque Portugal, na verdade, não é isto. É isto que eu digo aos meus filhos. Portugal não é o que temos e nos querem dar. A escola actual ensina, mas não educa. Informa, mas não entusiasma. Debita quilos de massa escrita, mas não faz sonhar. Porque Portugal está amorfo, triste, desalmado, falhado. Felizmente, eu não me demito da função de educador e de formador. Aquilo que transmito aos meus filhos é um Portugal pioneiro, destemido, glorioso. E suscito neles o orgulho Pátrio e o privilégio de se sentirem Portugueses. E essa faculdade é um rasgo de sorte. Nesse sentido, eu não tenho outra hipótese senão recorrer ao passado. Eles crescem entre um Portugal fútil sustentado pelos media e um Portugal fantástico, sustentado pelos pais. Mas Portugal é um só. Esse que desejamos ser devolvido aos Portugueses. Pais e educadores deste País, não nos resta outra solução que formarmos nós próprios os nossos filhos. Se queremos uma educação de valor. Se queremos formar uma Nação próspera e segura no mundo globalizado. Por todas as vias visíveis a sociedade contemporânea portuguesa é uma vergonha. É um péssimo espaço para o crescimento e aculturação de uma criança. A televisão portuguesa é um exemplo notável: na mesma hora, enquanto em França divulgam um programa de história militar medieval para um segmento jovem, em Portugal passa, nessa hora, e nas intermináveis horas seguintes, o maior fenómeno da cultura portuguesa actual: Cristiano Ronaldo. Como é que é possível passarmos meses a fio, a sermos bombardeados, diariamente, pela comunicação social, transmitindo este Sr. e as suas namoradas?! Passamos horas nas tertúlias cor-de-rosa a questionar porque é que o Sr. Cláudio Ramos ainda não foi visto na Praia este verão, ou a debater o beijo que o Herman deu na boca de não sei quem, e as sucessivas separações da Elsa Raposo, e os vestidos de gala das Tias de Lisboa, as traições, as mentiras, os amantes, etc. No lugar de constituir um agente formador e transmissor do legado histórico, cultural e social, na generalidade, a televisão portuguesa é um espaço de atraso, de futilidade, de estupidez. A política noticiosa pretende gerir o nosso entusiasmo, dando sensacionalismo como Roma dava circo. Noticiam realidades pelo critério do tema da moda: Durante o processo Casa Pia, havia pedófilos por todo o lado, hoje não são notícia; Quando Maddie desapareceu, muitas outras desapareceram naqueles tempos…; Quando uma Professora faleceu de cancro após ter sido obrigada a trabalhar, logo outras professoras foram notícia pela mesma condição…e tudo isto é realidade. Mas a realidade é isto todos os dias, não acontece por fases! Se ao menos fosse possível atribuir o tempo de antena destas tertúlias cor-de-rosa a todas as associações culturais do País, a organizações de carácter humanitário, de acção social…sempre se faria mais por Portugal. E não me venham dizer que as pessoas precisam de lazer, pois lazer não é futilidade, não é tempo perdido. Não será possível ter lazer na televisão com alguma qualidade intelectual? Pelo seu lado, os programas infantis, na sua maior parte, estimulam a violência e não a imaginação e a fantasia. Tudo serve para destruir e para conquistar o mundo…Os nossos governantes subestimam o poder sociológico da televisão…sob o ponto de vista normativo do comportamento social. Será necessário lembrar que o governo brasileiro interferiu no guião de algumas novelas? E não confundamos com censura. A realidade televisiva pode mesmo ser altamente nociva. Gostaria que tanto a televisão como a escola, transmitissem aos meus filhos o que realmente importa e o que realmente os forma como dignas pessoas humanas, respeitadoras, trabalhadoras em prol do bem-estar comum. Mas não como o fazem agora em Portugal. Formam cada um por si, fugindo como se pode às responsabilidades nacionais, cuspindo para o chão, sem quaisquer referências do que foi Portugal no passado, sem saber de onde vimos e sem saber para onde vamos; são cúmplices de um País onde apenas se fala de futebol, onde a notoriedade é medida pela quantidade de vezes que se aparece, mesmo quando não faça nada pelo País e pelos outros; um País onde os muralhas que o guardaram servem muitas vezes de casa de banho, vergonhosamente desrespeitador dos nossos antepassados; hoje forma-se um povo gordo, de cerveja e de bola, de praia ao Domingo, sem leitura, sem modos, sem nada. Haja vinho e pão sobre a mesa. E o País que se aguente. É, aliás, isto que temos para pôr em cima do bolo dos 100 anos da ilegítima república portuguesa: analfabetismo; futilidade; mediocridade, precariedade. Ignorância. E o pior de tudo: desinteresse generalizado. A Família tem um papel fundamental na formação dos filhos, se quisermos que passe a Portugalidade. De outra forma, ela não passará. Eu gostaria que os meus filhos não vivessem dois Países, mas um: Portugal. Mas Portugal não é isto. Onde, então, entusiasmar e envolver os meus filhos no projecto Portugal? Eu sei e trabalho para conseguirmos esse caminho…Touros ao Rossio!
Vejam-me esta relíquia. Uma fotografia tirada em 1874, ainda do tempo de Portugal, durante um espectáculo tauromáquico realizado na praça de touros de Aveiro, situada no Largo do Rossio. Hoje, o Rossio é um agradável espaço verde e a praça de touros já não existe...admito que a ria e as salinas contrastariam um pouco com os touros e os cavalos, mas para um aveirense de gema e, simultaneamente, cheio de aficción, uma praça de touros ali ao Rossio seria sopa no mel, não?(Foto Henrique Ramos)
sábado, 16 de agosto de 2008
Reabriu a Sé de Aveiro.
sábado, 2 de agosto de 2008
Deus nas mais pequenas coisas.
A ideia de falar ou de escrever sobre Deus constrange-me sempre um pouco. Um pouco muito. Mas é corrente pensar sobre Deus. Diariamente. Ou por uma questão de beleza, de natureza, de maldade, de violência, de necessidade, de justiça, de vida ou de morte, de correcção ou incorrecção. Enfim, Deus encontra-se em tudo na vida, quando pensamos ou quando agimos. É um padrão omnipresente que regula, ou melhor, que se apresenta como regulador, da nossa conduta de vida. Antes regulasse automaticamente. Pois a diculdade da vida é, precisamente, viver em Deus. Há muito que penso em Deus. E em Jesus Cristo. Humanamente. Com a limitação que tenho em ser humano, com toda a dúvida e insegurança que lhes estão associadas. Vejo Deus em muitas coisas. Nas maravilhosas, em como Deus as torna assim. E nas menos felizes, que me levam a pensar no nosso livre arbítrio, ou no livre arbítrio da vida. A capacidade de aceitação das nossas vicissitudes não nos deixa outra hipótese senão acreditarmos que temos um Pai, e que Ele olha por nós. É neste sentido que Deus nos é indispensável. É o que nos dá sentido à vida. Mas Deus está nas mais pequenas coisas. E são as pequenas coisas suficientes para a nossa sobrevivência nesta etapa terrena. Haja a nossa humildade e contenção. E aceitação. E para esta etapa Deus deu-nos tudo, com excepcional luxo. Um bom exemplo disso é a fruta. Quando, num tórrido dia de sol, como um pêssego fresco, gosto de olhar para uma ávore enquanto o como. E sinto que Deus, criando a ávore, me deu aquele fruto que mata a minha sede. A natureza dá-nos o alimento. Mas mais. Deus não criou apenas o pêssego. Como que querendo agradar a todos, Deus criou centenas de frutas, para que a todos agradasse. E quem não gosta de pêssego, terá ao seu dispor outras tantas frutas que alimentam e matam a sede e a fome. E sabem fantasticamente. As frutas não custam quase nada. Se tratarmos a terra cuidadosamente, e dar-lhe o tratamento proporcional à sua dignidade de Mãe. Mãe que dá o alimento, que mata a fome e a sede. Deus dá-nos, portanto, tudo e variado. Nós é que não queremos tudo o que Deus nos dá. Porque, por arrogância, procuramos concretizar objectivos que não são de Deus, são nossos, e não são importantes. Sequer para nós. Outro problema é que nós julgamos saber o que é bom para nós. É neste contexto que eu acredito que haja uma ligação muito estreita entre Deus e a Terra. E que a Terra, por criação de Deus, poder-nos-á amar tanto quanto o próprio Deus, porque nós habitamos nela, e dela temos tudo.
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